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Encontro Candidatos (Senado, 2002) ES

– Senado Federal
NUMARK / ECO / UFRJ

MÓDULO I

1o Módulo:
Os Canditatos têm 10 minutos para abordar o tema e responder:
“Qual o papel de um Senador(a) pelo Rio de Janeiro na próxima legislatura? Por que o Sr(a). se acha merecedor de ocupar uma das duas vagas?”

Falam pela ordem previamente sorteada, os Candidatos:

EDSON SANTOS

(PT, N 131)

Cid Pacheco:
Em segundo lugar, o candidato Edson Santos, no. 131, PT.

Edson Santos:
Bom, em primeiro lugar eu queria agradecer e cumprimentar a direção da Escola de Comunicação pela organização desse debate, assim como aos jovens da UFRJ por terem sugerido a organização de um debate como esse e por sua presença aqui neste momento na UFRJ a fim de que a gente possa trocar idéias mais de perto sobre aquilo que a gente propõe, e porque estamos nos colocando a disposição da população para representar o estado do RJ no Senado Federal.

O tema que me coube é exatamente qual o papel do senador pelo RJ na próxima legislatura, ou seja, nos próximos 8 anos, e por quê o sr. – agradeço o senhor – se acha merecedor de ocupar uma das 2 vagas.

Quero, em primeiro lugar colocar que eu faço política buscando dar conseqüência ao sonho de uma parcela cada vez maior dos brasileiros, no sentido de buscarmos uma sociedade mais igual, uma sociedade que ofereça cidadania de forma universal, para o conjunto da população brasileira.

Eu fui militante do movimento estudantil, fui líder comunitário na Cidade de Deus, que hoje é tema de um filme que entrou no grande circuito recentemente, e atualmente sou vereador pelo município do Rio de Janeiro, estou no meu quarto mandato. Fui indicado pelo PT, num ambiente democrático, para representa-lo nessa disputa do senado.

Quero colocar que meu projeto de trabalho no senado está intimamente vinculado ao que o Lula defende para o Brasil, ao que o PT, tendo a frente a Benedita, defende para o RJ. É exatamente retomarmos o ciclo de desenvolvimento econômico, mas distribuição de renda, porque nós já tivemos momentos de crescimento econômico no nosso país, mas sem a distribuição de renda. Todos aqui devem ter notícia – não eram nascidos, se eram ,eram muito jovens ainda – que o Brasil na década de 70 chegou a ter um crescimento médio de 10 % ao ano, e naquele período dizia-se que “primeiro precisava crescer para depois distribuir o bolo”.

Na verdade o bolo cresceu, solou, e não houve a tão sonhada e propalada distribuição de renda, que é um dos grandes problemas do nosso país, do ponto de vista de oferecer oportunidades para a população mais carente, oportunidades para aqueles que estão excluídos da atividade econômica em nosso país. Essa exclusão vem se acentuando a partir desses 8 anos do governo FHC, onde houve uma fragilização do estado no seu papel de intervir na economia, no sentido de direcionar o desenvolvimento econômico, e do estado intervir na economia, no sentido de distribuir renda para o nosso povo, e principalmente do estado oferecer a população de forma universal e indiscriminada, os serviços que são tão caros a formação da cidadania, sejam os serviços de saúde, de educação, que é no meu entendimento o principal instrumento de inclusão social a ser perseguido em nosso país. Então não poderia fugir a esse parâmetro quando venho aqui colocar para essa juventude que entende a eleição como momento de educação política, os princípios pelos quais balizarei a minha atuação no senado federal, representando os interesses do estado do RJ.

Em primeiro lugar, é defender e dar sustentação a esse programa de mudanças que o Lula e o PT, os partidos aliados defendem. Nós queremos ganhar a eleição, mas ganhar a eleição para mudar o Brasil. Queremos ganhar a eleição para romper com essa lógica econômica que coloca o ajuste financeiro, a busca do superávit primário para pagamento da dívida, acima de todos os objetivos, a ser perseguido pelos administradores públicos, mesmo que esse resultado primário seja obtido as custas de cortes na saúde, na educação, no investimento em saneamento básico, que vai atingir de frente e diretamente a população mais carente do Rio de Janeiro, seja das favelas, seja da baixada fluminense. Nesse sentido, quando se fala em retomada do desenvolvimento econômico, vem em primeiro lugar o debate sobre a retomada da industria naval, que já empregou no RJ milhares de trabalhadores. É comum irmos a São Gonçalo, Niterói, na baixada, e encontrarmos companheiros que eram operários, metalúrgicos, e que hoje estão se virando para levar o sustento a suas famílias. Se fizermos uma pesquisa na AV. Rio Branco, naquele corredor da Av. Rio Branco, “qual era a atividade daqueles que estão ali fugindo da Guarda Municipal?”, certamente nós vamos encontrar muitos ex-metalúrgicos da industria naval do RJ. Eu coloco essa questão porque o RJ precisa retomar o desenvolvimento econômico, para gerar emprego e distribuir renda, e a industria naval já provou a sua capacidade, não só de gerar renda para o nosso povo mas também a sua capacidade para garantir o desenvolvimento econômico sustentável do nosso estado.

Como senador da república, uma questão que teria uma intervenção enérgica de nossa parte, seria questionar de forma dura e enérgica esse contrato que a Petrobrás pretende fazer com estaleiros de Singapura ou da Noruega para contratar uma plataforma que poderia perfeitamente estar sendo produzida em estaleiros aqui do RJ, gerando renda e desenvolvimento econômico para nosso estado.

Uma outra situação que é importante a gente colocar, enquanto senador em Brasília, é a questão de enxergar o turismo enquanto atividade econômica, que pode gerar direta e indiretamente milhares de empregos para o estado do RJ. Eu não falo de turismo só vislumbrando a orla da zona sul do RJ, o turismo vislumbrando a região serrana, Petrópolis, Teresópolis, Região dos Lagos, Angra dos Reis, que, se potencializados, se houver um investimento sério do governo do estado do RJ e tiver uma correspondência com o Governo Federal a fim de entender que é pelo Rio de janeiro que ingressa grande parte dos turistas, e o Rio de Janeiro é visto como cartão postal do Brasil no exterior. Isso vai significar que a gente terá a condição não só de atrair turistas para o RJ, mas atrair turistas para o Brasil como um todo na medida em que disse que o Rio de Janeiro está para o Brasil assim como Paris está para a França e NY para os EUA.

A outra questão que eu queria colocar, finalmente, é a questão do RJ ser enxergado como pólo de ciência e tecnologia. Quando se fala aqui da construção de uma plataforma de petróleo, e do combate que foi feito pelos trabalhadores da Petrobrás e pela sociedade, o questionamento que foi feito ao governo, esse questionamento teve uma fundamentação muito forte a partir da contribuição de profissionais da COPPE, pessoas que são dedicadas a estudar o desenvolvimento de tecnologias e que deram a condição de se colocar estaleiros aqui no Brasil, tem a possibilidade de construir uma plataforma, assim como o estaleiro de Singapura ou da Noruega.

Então, ver o RJ como um pólo de ciência e tecnologia, trazer investimento – a gente teve noticia de que o fundão teve a sua luz cortada, foi um absurdo, cortar a luz do fundão não é só atingir a COPPE e a faculdade de engenharia, mas é atingir o hospital do fundão que presta um serviço inestimável e essencial a população do RJ.

Então, concluindo este primeiro ponto, eu queria colocar, sem abandonar os princípios do PT, que entende a necessidade da retomada do desenvolvimento econômico e da distribuição de renda para a gente superar essa situação de crise social que grandes cidades como o RJ vem experimentando, eu quero finalizar colocando esses pontos e deixando para o debate o aprofundamento de qualquer questão por mim colocada que, porventura, possa ter chamado a atenção e a crítica de vocês.

Muito obrigado!

Increva-se

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Professor Marcelo Serpa
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