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Encontro de Candidatos (Senado, 2002) CL


 
 
DEBATE
1o Encontro de Candidatos – Eleições 2002
– Senado Federal
NUMARK / ECO / UFRJ
MÓDULO I
1o Módulo:
Os Canditatos têm 10 minutos para abordar o tema e responder:
“Qual o papel de um Senador(a) pelo Rio de Janeiro na próxima legislatura? Por que o Sr(a). se acha merecedor de ocupar uma das duas vagas?”
Falam pela ordem previamente sorteada, os Candidatos:
CARLOS LUPI
(PDT, N. 123)
Cid Pacheco:
Agora, em quinto lugar, o nosso candidato Carlos Lupi, numero 123, do PDT.
Carlos Lupi:
Boa tarde a todos, boa tarde aos companheiros de disputa no senado.
Como vocês já ouviram, o papel do senador está mais ou menos descrito por todos aqui. Mas eu quero ressaltar uma parte que eu acho que é a mais importante. Nós estamos numa campanha onde as pessoas acham que vão votar pro senado como quem vai ganhar um brinde.
Se escolhe o presidente, o governador, como quem vai no supermercado comprar uma caixa de cerveja e ganha de brinde 2 guaranás. Não é bem assim. O senado é uma casa que é responsável primeiro pela garantia da unidade da federação. Todos os estados tem 3 senadores, e não é por acaso não. Por quê todos os estados tem 3 senadores? Porque a federação é composta por 27 estados. Quem garantirá que será ouvida igualitariamente a voz de todos os estados? O Senado da Republica.
Então a primeira função do senado é a função da unidade da pátria brasileira. Essa função da unidade da pátria – uma palavra que anda em desuso, que é pátria – é algo que precisa se resgatar.
Vocês jovens – a quem agradeço essa oportunidade, daqui da área de comunicação, da universidade – vocês há muito só ouvem falar da pátria brasileira quando o Brasil joga uma copa do mundo e canta o hino nacional, quando o Guga vence uma disputa de tênis, ou quando tem algum evento esportivo em que o Brasil é citado. Nós precisamos entrar fundo nessa discussão, e um dos papéis do senador é discutir a sua visão estratégica de país.
Nós- eu só fiz parte de um partido na minha vida. Eu sou fundador do PDT, tenho 45 anos de idade, comecei como jornaleiro, tenho muito orgulho de dizer a minha origem, lutei muito na minha vida pra chegar aqui onde estou hoje, sou presidente estadual do PDT e vice-presidente nacional desse partido – único ao qual eu participo e pertenci. Eu quero dizer pra vocês com muita clareza, o papel do senador é garantir que esse país seja dos brasileiros. A pátria brasileira precisa ser discutida com mais profundidade. Nós estamos ouvindo falar um governo que há 8 anos só defende a privatização como solução para arrecadar mais dinheiro, o estado gastar menos, diminuir a divida. Aumentou a divida, o estado gastou mais, e não resolveu-se nada.
Que estado brasileiro é esse? Tem que se parar pra perguntar a cada um de nós o que nós queremos -não pra vocês, que não vão pegar essa geração do futuro do Brasil, mas pra geração dos filhos e netos de vocês. Porque quem faz política por ideal faz pra próxima geração. Quem faz apenas eleitoral faz pra próxima eleição.
Nós queremos fazer pra próxima geração de brasileiros. Nós precisamos discutir o papel do senado, não só na garantia da unidade federativa, mas principalmente na garantia do que queremos pra esse Brasil. Porque o que é bom pros americanos lá nos EUA não é bom pro Brasil. Porque o povo americano, em cada esquina, de cada estado americano, tem um pavilhão americano hasteado, tem o hino cantado, semanalmente. Qualquer briga de qualquer cidadão americano em qualquer parte do mundo é considerado um ato de estado. O estado americano ameaça intervir quando você invade a cidadania de um cidadão americano em qualquer parte do mundo, e no Brasil não é assim.
Por quê só copiamos, antigamente o rock’n roll e agora algumas musicas mais em evidência? Por quê não copiamos o sentimento nacional que eles tem, e fizeram deles a maior nação do mundo? Como, por exemplo, criou o protecionismo para defender a laranja da Flórida – os EUA tem como maior produtor de laranja a Flórida – quando a laranja brasileira, do interior de SP, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, consegue ter melhor qualidade, com um suco melhor. E o preço melhor, sabe o que faz os EUA ? Sobretaxa em até 100% a importação.
Eu to levando isso pra vocês discutirem o que é soberania nacional? Não é só “discusseira”, não é só bla-bla-bla, não é só a bandeira que vocês assistem não. É discutir os interesses de um povo. E os interesses de um povo começam a ser discutidos quando se começa a discutir a quem leva esse interesse, a quem interessa? A quem ganha com isso?
Então o papel principal do senador é ser um incinerador da pátria brasileira. Da garantia da unidade da federação. Da defesa intransigente dos interesses nacionais. E aí cada um de nós tem que ter sua visão. Cada um de nós tem que dizer: “Da onde veio, ao que veio, pra onde quer ir”? Eu tenho orgulho da minha origem – humilde, singela e simples. Já fui deputado federal, secretário municipal, secretário estadual. E faço questão de dizer que fui jornaleiro, porque é a minha maneira de dizer a uma elite que existe no Brasil, na política, que não dá chance e não permite que não seja 15 ou 16 segundos na televisão pra gente conseguir ascender. É muito difícil fazer política no Brasil. Principalmente porque é uma falsa democracia. Por quê é uma falsa democracia? Porque, na verdadeira e plena democracia, a todos deveria ser dada a oportunidade como nos está sendo dada hoje. Por quê a Rede Globo não faz isso? Por quê a bandeirantes não faz isso? Por quê não nos dão a chance de dizermos o que pensamos?
O primeiro papel do senador é saber o que é e o que quer pra pátria brasileira. E o segundo papel do senador é defender os interesses do estado que ele representa: fazendo leis, revisão dos trabalhos da câmara dos deputados, tudo isso já foi dito aqui. Mas, principalmente no caso do RJ, que vem sendo há muitos anos maltratado pela união. Eu dou 3 exemplos grassos em que não ouvi a voz dos senadores do Rio: privatização do Banerj. Privatizaram o Banerj, sabe o que aconteceu? O Banco, os 400 mil clientes foram para o banco Itaú. A dívida ficou com o Estado. A dívida é do estado. Quem paga os pensionistas e aposentados é o Estado. “Ah, criaram um fundo de pensão…”, criaram um fundo de pensão que está acabando. Então o que é isso? Cadê o senado do estado do RJ que não está brigando pra dizer: “Peraí, com meu estado não!”. Com toda a diferença que eu tenho, e tenho há muitos anos, com o seu Antônio Carlos Magalhães, da Bahia, não se troca uma pedra portuguesa na Bahia sem que ACM seja ouvido.
Flumitrens é outro exemplo. Flumitrens, antiga central do Brasil, outra federal, foi passada para o Estado e depois privatizada. A mesmíssima coisa, a dívida com os trabalhadores, o débito passivo trabalhista é do estado. A bilheteria foi para a empresa particular. A mesmíssima coisa com o metrô. Era feito pela união de verbas federais, passou para o Estado, privatizou-se. Bilheteria, empresa privada: Débito, Estado. Cadê o senador do Rio?
Eu acho que o papel do senador do Rio, primeiro, não vamos nos enganar: Que o cidadão brasileiro seja do Acre, do Ceará, do amazonas, ou do RJ, tem que ser respeitado como cidadão brasileiro. O primeiro papel do senador é ser Brasil, mas Brasil mesmo. Esse Brasil escondido dentro da gente. Esse Brasil adormecido, que precisa ser acordado porque nós somos 20% da água potável do mundo. 20%, um quinto da água potável do mundo está no Brasil – água doce. Nós somos uma nação que tem tudo: clima, colheitas 3, 4 vezes por ano, nós temos a Amazônia, aqui sendo invadida, nós temos aqui uma base militar americana em Alcântara tentando ser colocada, onde os americanos vão dizer ao povo brasileiro o seguinte: “O presidente da republica não pode entrar na base militar sem autorização americana”. Ninguém está discutindo isso, porque não é importante. Não é importante saber que você tem uma base militar com olho dentro do Brasil? Não é importante você discutir a Amazônia, seu solo, a bio-genética?
O primeiro papel do senador é Brasil, um Brasil adormecido, um Brasil que você, jovem, precisa acordar para tê-lo em mãos. Porque se vocês, jovens, não acordarem para pegar esse Brasil em mãos, pra onde nós vamos? Essa globalização serve muito quando o estado a patrocina. Todo mundo critica o estado, mas todo mundo quer o dinheiro do estado para salvar banco. Todo mundo quer o dinheiro do estado pra salvar empresa falida. Todo mundo quer dinheiro do estado pra salvar seu bolso.
Então, que papel nós queremos da nação brasileira? Para pra pensar um pouquinho. O voto é algo muito mais importante do que votar em alguém que acha que tem um grande feito ao colocar a terceira idade pra dançar, literalmente. Dança, literalmente. Esquece de dizer que é de um partido que há 8 anos não dá aumento a aposentados e pensionistas. Idoso merece respeito. Ou outro candidato, que quer fazer um feudo político-religioso, tem 860 igrejas universais que são uma reserva de mercado. “Amém, Senhor!” E vai quem for.
Nós temos que combater isso com coragem, sem medo. Percamos alguns votos, mas não percamos a coragem de amar o Brasil. Eu quero ser senador, porque eu me sinto em condições plenas de gritar em voz alta e fazer a voz do meu estado ser ouvida definitivamente.
Obrigado!

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Professor Marcelo Serpa
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