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Encontro de Candidatos (Senado, 2002) FG

DEBATE
1o Encontro de Candidatos – Eleições 2002
– Senado Federal
NUMARK / ECO / UFRJ

MÓDULO I

1o Módulo:
Os Canditatos têm 10 minutos para abordar o tema e responder:
“Qual o papel de um Senador(a) pelo Rio de Janeiro na próxima legislatura? Por que o Sr(a). se acha merecedor de ocupar uma das duas vagas?”

Falam pela ordem previamente sorteada, os Candidatos:

FERNANDO GUSMÃO

(PC DO B, N 656)

Cid Pacheco:
Anunciada, aqui como vocês já viram, a presença do Senador Artur da Távola. Aproveito para avisar ao Artur que eu disponho de 2 votos à sua disposição. Dada uma certa semelhança física, já fui abordado na rua recentemente dizendo assim “Vou votar no senhor!”. Em seu nome, agradeci o voto…

… (risos).
Em terceiro lugar, agora, o candidato Fernando Gusmão, N. 656, PC do B.
Fernando Gusmão:

Queria em primeiro lugar parabenizar os professores que estão realizando esse debate, e parabenizar especialmente os estudantes que realizaram e tocaram essa organização.

Para mim não é surpresa uma casa cheia, uma platéia querendo participar. Eu tenho ido a vários debates, e o povo brasileiro, o jovem, a população em todo lugar quer participar desse processo eleitoral, o horário eleitoral tem tido índices de 53%, um dos maiores índices de audiência da história do horário eleitoral, o que mostra que a população brasileira de fato tem tido a preocupação e a compreensão de que essas eleições são históricas pro Brasil.

Nós que vamos protagonizar mudanças ou não que vão implicar em décadas, talvez em séculos de alterações nas nossas vidas e no futuro do país.

Então, parabenizar esse ato de cidadania, essa discussão.

Em primeiro lugar, o PC do B lançou um candidato ao senado, não vou aqui ser repetitivo porque o papel do senado já foi muito bem explicado pelos companheiros que me antecederam, então o Senado é uma casa revisora, uma casa que discute temas fundamentais do país, que sabatina o presidente do banco central, o ministro das relações exteriores, por lá passam o ministro do supremo, acordos internacionais são viabilizados com autorização do senado, nós vamos aqui no debate discutir um pouco isso, mas essencialmente eu acho que nós precisamos discutir qual é a posição dos candidatos ao senado do RJ em relação a temas relevantes do país.

Qual a posição dos candidatos ao senado do RJ em relação a este modelo econômico que está aí?

Um modelo econômico que – e ontem, quem leu os jornais, viu, o povo brasileiro compromete 35% das sua renda com juros. O nosso país é campeão mundial de juros.

O nosso país é vice-campeão mundial de desemprego. Um quarto da população economicamente ativa não tem emprego. Um milhão e duzentos mil jovens saem da universidade ou do curso secundário para o mercado de trabalho e não tem emprego. Metade da população desempregada tem entre 18 e 25 anos. Essa perspectiva do país que não tem futuro, do país que exclui 53 milhões de pessoas do mercado consumidor, que ganham 2 dólares por dia, essa perspectiva é que nós precisamos reverter.

Nós vivemos num país que já foi a oitava economia do mundo, hoje é a décima-primeira. Já foi a primeira da América Latina, hoje é a segunda. Isso é fruto dessa política do governo, um governo que não tem compromisso com os trabalhadores, não tem compromisso com o crescimento econômico, nós temos as menores taxas de crescimento econômico da história republicana, o Brasil já bateu taxas de 9%, 7%, 8%, hoje é 2,5% ao ano de crescimento, enquanto a população economicamente ativa cresce de 3,5% a 4%.

Ou nós mudamos o modelo econômico, e esta eleição é histórica em função disso, ou o Brasil vai se argentinizar, o Brasil vai seguir o rumo do Uruguai, do Paraguai.

Essa é a responsabilidade que o povo brasileiro tem nas mãos nesse processo eleitoral.

Então é fundamental a gente perceber isto, é fundamental fazer um diagnóstico certo da situação do país, entender que infelizmente esse governo que passou 8 anos dirigindo a economia e as políticas sociais não se comprometeu e não investiu na ciência e tecnologia, a CAP e o CNPQ é o sistema de ciências e tecnologias do Brasil, está desmontado, a universidade publica foi violentada – e essa universidade aqui, a UFRJ, na gestão passada, sofreu uma violência democrática, quando o presidente da república colocou um interventor e não nomeou o mais votado no processo eleitoral – essa universidade, há 15 dias atrás, teve que fechar as portas, porque o governo federal não dá um orçamento suficiente para se pagar a conta de luz da universidade, então, por isso, eu sou o candidato do PC do B, junto com Lula, porque tenho esperança no país que é o quinto maior do mundo, um país que tem potencialidade como é o Brasil, um país que tem uma universidade que produz 95% da produção cientifica do país, pode mudar.

E a mudança no meu entender é Luis Inácio Lula da Silva, um trabalhador que vai recontar a história do país nos próximos 4 anos.

Queria dizer que a minha candidatura ao senado é uma candidatura que compõe a chapa da Benedita, e nós entendemos que, diferentemente do que o professor colocou aqui, que o senado tem que ser a casa do ancião, do mais velho, eu sou o candidato mais jovem, me senti na posição de fazer o contraponto, sou o candidato mais jovem, mas sou ex-presidente da UNE, sou vereador aqui na cidade do RJ pelo segundo mandato, quero distribuir um panfleto com uma série de leis que a gente aprovou aqui, tenho tido um compromisso na defesa da luta dos interesses da cidade, principalmente em relação a educação, ao meio ambiente e a políticas juvenis, políticas que possam viabilizar na cidade uma lógica diferenciada pras crianças que estão abandonadas.

Eu vejo na campanha eleitoral a candidata do prefeito dizer que ela é a mudança, que o prefeito administrou bem a cidade, que a cidade está bem administrada, mas basta andar na cidade do Rio de Janeiro pra gente ver: aumentou a população de rua no RJ, aumentou o numero de meninas nos sinais pedindo dinheiro, porque não há uma política social de investimentos concretamente nesse período, nestes 12 anos de administrações “Pefelistas” na cidade do RJ. Então, nós precisamos do investimento na educação, nós precisamos de investimento fundamental para que a criança – a política do bolsa escola e da poupança escola – pode viabilizar uma retomada da ocupação de pessoas e dessas crianças nas escolas, pra que a gente tenha uma perspectiva diferenciada pros próximos anos no RJ.

O problema da violência, que é um problema central no RJ, é muito fruto disso. Eu não acho que essa questão – eu acho que nós precisamos discutir isso, o senado vai precisar discutir revisões e investimentos que possam fazer com que o orçamento federal que pode contribuir para a gente amenizar uma série de problemas que são problemas básicos da população, como habitação, como investimentos em políticas de geração de renda, que podem permitir que aquela jovem, que hoje está sendo disputado pelo tráfico, passe a não ser disputado pelo tráfico, possa ter uma política de profissionalização, que possa ter uma rede de escolas técnicas que dê perspectivas para ele entrar, se profissionalizar e buscar alguma coisa no mercado de trabalho, com mais condições de sucesso. Essas políticas são políticas que passam por Brasília, passam por um orçamento que não seja o orçamento que é hoje, quem viu ontem o Globo viu que 62% do PIB brasileiro, ou seja, tudo que a gente produz, está comprometido com as dividas. Esse governo só deixou dividas. É a divida publica interna que cresceu 11 vezes, a dívida externa que cresceu 2 vezes, e hoje nós estamos submetidos a um orçamento que compromete 57% pra pagar juros a banqueiro. Essa política tem que ser mudada. Nós precisamos de uma política que invista basicamente e fundamentalmente na geração de empregos, na ciência e na tecnologia, e na educação.

Para finalizar, nos últimos 2 minutos, eu queria falar o seguinte. Tem 2 questões fundamentais do senado que eu acho que era importante a gente debater aqui: Uma é a questão da Alca que já foi mencionada. A Área de Livre Comércio das Américas, que acontece agora inclusive um plebiscito em relação a Alca, não é só um acordo comercial que o Brasil vai fazer, quer dizer, a Alca pros EUA significa uma política de articulação geopolítica da sua economia que hoje é uma economia em profunda depressão. Discutir fundamentalmente, eu acho que aqui nos minutos finais não vai dar pra colocar, mas discutir a Alca é fundamental, porque é um acordo que necessariamente tem que passar pelo senado, e é bom debater a posição dos senadores em relação a isso.

A outra questão é relacionada a CLT, que faz parte dessa articulação de flexibilizar as leis trabalhistas, como condensar a licença maternidade – o que é um absurdo – e permitir que grupos internacionais possam entrar e possam cada vez mais explorar os trabalhadores. Então a nossa posição é uma posição contrária a isso, queremos ir pra Brasília e vamos para o Senado representar o RJ pra que a gente possa ter um senado que não seja um senado que desmoralize o Brasil, como desmoralizou nas gestões anteriores, com ACM, com Jader Barbalho, com tudo que a gente nega na política brasileira. A gente precisa de um Brasil de cara nova, com Lula presidente, e um senado com cara nova.

Meu numero é 656 e meu nome é Fernando Gusmão.

Obrigado!

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Professor Marcelo Serpa
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