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Encontro de Candidatos (Senado, 2002) FL

DEBATE
1o Encontro de Candidatos – Eleições 2002
– Senado Federal
NUMARK / ECO / UFRJ

MÓDULO I

1o Módulo:
Os Canditatos têm 10 minutos para abordar o tema e responder:
“Qual o papel de um Senador(a) pelo Rio de Janeiro na próxima legislatura? Por que o Sr(a). se acha merecedor de ocupar uma das duas vagas?”

Falam pela ordem previamente sorteada, os Candidatos:

FLORINDA LOMBARDI

(PSTU, N. 161)

Cid Pacheco:

É a vez agora da candidata Florinda Lombardi, numero 161, PSTU.

Florinda Lombardi:

Pessoal, é sempre muito emocionante ver a nossa universidade pública preencher um auditório como esse para ouvir, não os 21, porque não vieram todos, mas pelo menos 7 candidatos ao senado. Isso significa que a juventude está querendo ocupar seu espaço, aquele que ela não tem deixado de ocupar. Eu quero fazer algumas contribuições a esse debate.

Meu nome é Florinda Lombardi, numero 161, candidata pelo PSTU, sou professora há mais de 30 anos, comecei em 68 alfabetizando adultos. Fundei o PT, fundei a CUT, fundei o meu sindicato, isso nos idos em que muitos aqui nem eram nascidos. Participei da luta pelas diretas, e tenho participado de todas essas lutas até culminar em assumir a câmara dos vereadores agora de 99 a 2000. Lá na câmara, sem ter nenhuma experiência administrativa, mas tendo todas essas experiências ao lado da classe trabalhadora, eu não tive nenhuma dificuldade em desenvolver aquele papel, porque nunca tive duvidas de qual era o meu lado. Eu não fui para a câmara dos vereadores representar aleatoriamente a população. Eu não vou para o senado representar o estado do RJ.

Eu vou representar a classe trabalhadora. Eu vou representar a juventude. Eu vou representar os desempregados, a dona de casa, o povo brasileiro que eu quero organizar. Eu estou falando isso porque é preciso termos clareza de que o parlamento brasileiro é um parlamento que interessa a burguesia. Não é um parlamento que defende leis, que defende ações que interessam ao povo. Senão vejamos:

Sabem quantos deputados federais nós temos em Brasília? Mais de 500. Sabem quantos senadores nós temos em Brasília? 81. Se eu perguntar a vocês o nome de 10 deputados federais, de 3 senadores – 3 não vale porque o senador Artur da Tavola fez aqui a gentileza de discorrer sobre a vida de alguns, brilhantemente, por sinal – mas se eu perguntasse, antes dessa fala do senador, eu tenho certeza que a maioria teria dificuldades de lembrar.

E vou mais pertinho: os deputados da assembléia legislativa?? E mais ainda: os vereadores das câmaras? São 42 no RJ, 22 em Caxias, enfim…. Isso não é por acaso. E se de fato um parlamento resolvesse os problemas do povo brasileiro, ora, nós temos muitos defensores. Para vocês terem uma idéia, e o motivo do meu atraso foi esse, eu estou participando do plebiscito da Alca. Nós já distribuímos urnas em vários lugares. Eu já dei uma entrevista na CBN conclamando o povo a votar contra a Alca, já fui levar urnas em Duque de Caxias, já estivemos na Cinelândia abrindo o processo eleitoral as 10h da manhã, ontem a noite em Santa Tereza saí de lá com mais de 1000 votos na caixa.

Esse é um processo onde nós queremos ver a população se envolverem, os estudantes se envolverem, e que sá os parlamentares de todos os partidos. Porque não tem jeito, meus colegas, meus estudantes. Não tem jeito. Com a divida externa que o país está pagando – só os juros da dívida externa – não vai ter saída para esse país. A bomba está prevista de estourar no colo do próximo presidente.

Os EUA estão com os pés aqui dentro, através das empresas que vocês já conhecem ,e agora também através do acordo que já foi feito para que a base de Alcântara passe para eles. E isso ta em jogo uma série de coisas que vocês sabem. É a própria soberania nacional. O nosso país é um país rico. O nosso país é referencia na América Latina.

O nosso país precisa ser colonizado pela segunda vez. Os EUA precisam garantir a sua hegemonia financeira, econômica, política e militar. E para isso, não vão medir esforços. Nós estamos hoje numa situação em que, se nós não levantarmos nossas bandeiras, vamos ter que instalar aqui a bandeira dos EUA. Eu acredito que a juventude, acredito que a classe trabalhadora, eu acredito que o processo eleitoral só serve pra isso, para que a gente possa fazer esse debate, para que a gente possa conclamar as pessoas, nós queremos retirar milhares de votos contra a Alca, contra a entrega da base de Alcântara, e levar isso para o presidente atual e para o próximo presidente.

Eu não sei, sinceramente, qual é o grande papel do senado, com todo respeito as teorias, as idéias, a prática e a vivência que muitos parlamentares tem. Porque nós temos lá uma câmara de deputados com mais de 500 e o senado, que muitas vezes funciona como um poder paralelo. Aqueles projetos que o governo federal não consegue ver aprovados ali na câmara dos deputados, ele ainda tem uma segunda chance que é o senado.

Mas os parlamentares que não dedicam o seu mandato para ter a clareza de qual é a luta que precisa ser travada, de fato esse parlamento não nos serve. Não é por acaso que se fala tanto da reforma eleitoral, da reforma política, e elas não vêm. Quando vem, nós já sabemos que só virão para potencializar aqueles candidatos, enfim… quero só dar um exemplo. São quantos candidatos a presidente? São 6. Os 6 tiveram o direito, pela lei eleitoral, de se inscreverem. São quantos os candidatos que falam na televisão e que aparecem nos institutos de pesquisa? São 4. Para o governo do estado e para presidente da republica. O que é que isso significa? Quem tem militância estudantil, quem tem militância sindical, sabe perfeitamente que nós também temos as nossas barreiras de exclusão.

Nós temos também a nossa proporcionalidade. Democracia, proporcionalidade direta. Fazemos a barreira para que nenhum oportunista, nenhum aventureiro, com uma chapinha desse tamanho, concorra as eleições e entre nas direções dos nossos organismos. Isso tudo é perfeitamente aceitável. Agora, existem muitas outras coisas que não são discutidas. Por exemplo: quem é que está discutindo o pagamento da divida externa? Pelo que nós do PSTU sabemos, e pelo que vocês sabem, hoje há uma certa concordância nacional com essa relação do governo do Brasil com os EUA. A dívida externa está colocada, e vai-se ao fundo monetário internacional pedir mais dinheiro. 30 bilhões aqui, 30 bilhões ali para resolver um problema de 1 trilhão – que é o montante em que a dívida já está.

Para vocês terem uma idéia, só no período de 94 para 2000, se os mais de 500 bilhões não saíssem desse país, nós teríamos certamente uma casa com 3 quartos pra cada família brasileira. Nós teríamos construído mais de 6 milhões de escolas e duplicado o investimento em educação, pagando salários decentes para professores, funcionários e aposentados. Esses cálculos não são nossos, são os cálculos que estão sendo divulgados. No entanto, esse país é o país campeão mundial do desemprego. Segundo lugar, perde pra Índia.

Quando eu estive na câmara dos vereadores, por 1 ano e 4 meses apenas, como suplente, eu fui a Brasília 5 vezes, e tive o prazer de intermediar várias lutas. Por exemplo essa, dos trabalhadores da fundação nacional de saúde que foram demitidos pelo ministro José Serra. Tive audiência com o senado, com parlamentares federais, ocupei o ministério da saúde junto com eles. E tive o desprazer de ouvir ainda um deputado me perguntar “o que uma vereadora do RJ fazia em Brasília?”. Aqui eu apresentei projeto, uma moção para que a gente fizesse um movimento pela libertação do Abu Jamal (?) , o jornalista que nos EUA, há mais de 20 anos, todo ano é ameaçado de ir pra cadeira elétrica. Eu apresentei o projeto pra considerar a cidade de Díli, capital do Timor Leste, cidade co-irmã do RJ, para que pudéssemos realizar projetos de apoio e colaboração, num país que saía de uma luta, uma revolução, contra o jugo da Indonésia.

E me disseram que isso eram ações gerais, nacionais, do senador. Pois é isso que é o papel do parlamentar, não é para outra coisa. Se ele não der conta das grandes questões, que é o desemprego, que é a precariedade da saúde, da educação, moradia, reforma agrária, que o MST brilhantemente fez o papel histórico de colocar isso na cabeça, na boca das pessoas, sem o medo que era antigamente. Se não forem essas questões, a luta, a mobilização contra a Alca, contra o pagamento da divida externa, não sei pra que serve.

Para finalizar, nós inclusive queremos fazer a discussão da implosão do senado. Queremos fazer a discussão do voto não obrigatório. Queremos fazer a discussão de como vamos resolver a vida do nosso povo, deixando aqui os bilhões que saem dos nossos salários, do desemprego que é feito, enfim, dessa série de coisas todas. E pra resolver, a re-estatização, enfim, só.

É uma discussão que a gente quer fazer, e o PSTU está aberto para uma discussão maior, porque os partidos pequenos, de esquerda, precisam se juntar para que a gente some e crie de fato um partido alternativo para esse país, para a juventude, para todos.

Obrigado!

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Professor Marcelo Serpa
Escola de Comunicação da UFRJ
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