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Visão estratégica política do Rio de Janeiro, A (Marcelo Serpa, 2002)

(Discurso de abertura do V Congresso Brasileiro de Marketing Eleitoral, S.Paulo)

É com enorme prazer  – e maior apreensão pela responsabilidade, que venho abrir este nosso V Congresso.

Corro o risco de que vocês pudessem avaliar todos os conferencistas que vêm depois de mim pelo meu desempenho. Não se assustem: provavelmente eu não sou o melhor deles. Até porque, depois de mim, estarão falando, hoje e amanhã, nomes dos mais ilustre e experimentados do Marketing Eleitoral Brasileiro.

Coube-me falar sobre “A visão estratégica política do Rio de Janeiro”, enfocando o comportamento de voto do eleitor fluminense.

O Rio, secularmente, foi Capital Federal. Capital cultural. Capital econômica. E Capital Política. Sede da Corte. Sede da República. Sede do Poder. Portanto, pode-se dizer que as eleições do Rio, foram, até há pouco, Eleições Nacionais.

Tanto, que o Rio ainda não aprendeu a fazer-se representar na Política Nacional. Faltou-lhe treinamento histórico para isso, embora tenha sido no Rio que os demais estados aprenderam a fazer-se representar nacionalmente.

Pretender que o eleitor do Rio (no singular) tenha um perfil (no singular) é, no mínimo, um equívoco. O Rio, tal como o Brasil, se caracteriza pela pluralidade. Estamos no MARKETING DA SEGMENTAÇÃO. Nosso objeto, portanto, é o Eleitorado, ou seja, os Eleitores (no plural).

Tradicionalmente, a segmentação se desenvolvia sobre 5 (cinco) variáveis: Gênero (sexo), Idade, Renda, Escolaridade e Domicílio. De alguns anos para cá vêm sendo adotadas novas variáveis. Por exemplo: ocupação e religião, o que constitui, aliás, tendência mundial.

De fato, o eleitorado do Rio (como qualquer outro) vem mudando ao longo do tempo. Em comparação a um passado próximo, as estatísticas constatam que o Rio de Hoje teve reduzidos os seus índices de renda superior e de “juvenilidade”. Em compensação, tem aumentado a renda média das camadas inferiores e a escolaridade em todas as classes.

Portanto, para fins eleitorais, é imprescindível definirmos, com a maior exatidão possível, o eleitor de HOJE.

Cresce, portanto, a relevância da pesquisa, capaz de flagrar, a cada eleição, o perfil de cada momento, em cada segmento.

Outro equivoco grave que pode-se cometer é esquecer que a Fusão é fato político ainda recente, o que pode nos levar a confundir o eleitorado do município do Rio de Janeiro (antigo estado da Guanabara) com o eleitorado do resto do Estado do Rio, que é um ente pós-fusão. O eleitorado da Região metropolitana do atual Estado do Rio é bastante diferente do eleitorado do resto do Estado, além de majoritário (vide gráfico).

Quantitativamente, as pesquisas mais recentes apontam para o seguinte perfil sociográfico do eleitorado fluminense:

Quanto ao Gênero: Homens       –       48%
Mulheres      –       52%

Quanto à faixa etária: De 16 a 17 anos –     1%
De 18 a 24 anos –   15%
De 25 a 34 anos –   21%
De 35 a 44 anos –   23%
De 45 a 59 anos –   23%
De 60 a mais –         17%

Quanto à Renda:  Até 1 SM     –       10 %
De 1 a 2       –       18%
De 2 a 5       –       33%
De 5 a 10     –       24%
De 10 a mais –     15%

Quanto à Escolaridade:  Até 1o Grau Incomp                            – 56%
1o Grau Compl. até 2o Grau Incompl.  – 20%
2o Grau Compl. até Sup. Incompl.       – 18%
Sup. Compl. em diante                        –   6%

Isso sem falar nas outras estratificações possíveis e necessárias, como área de domicílio, ocupação, religião, habitantes por domicílio (residências multi-domiciliares), chefe-da-família Mulher etc.

Quanto à atitude política, a classificação é muito mais subjetiva e qualitativa, e as estatísticas respectivas comportam interpretações contraditórias. Assim, por exemplo, o eleitorado do Rio vota freqüentemente com as oposições:

  • 1982  Brizola (PDT) sucedendo Chagas;
  • 1986  Moreira (PMDB) sucedendo a Brizola;
  • 1990  Brizola (PDT) sucedendo a Moreira;
  • 1994  Marcelo(PSDB) sucedendo a Brizola;
  • 1998  Garotinho (PSB) sucedendo a Marcelo.

Sob este aspecto contraditório, as pesquisas qualitativas são o instrumento “ad hoc” mais confiável para o Consultor interpretar e concluir com base racional.

Quantitativas ou qualitativas, as pesquisas são o instrumento essencial que garante uma razoável previsibilidade num fenômeno de natureza imprevisível como é a decisão do eleitor.

Princípio basilar do Marketing Eleitoral contemporâneo é que o seu principal problema é a nítida definição do público-alvo.

Pequenas imprecisões nesta definição podem resultar em grandes desastres…

Isso é o que me foi possível dizer em 10 minutos.

Obrigado.

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