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Encontro de Candidatos (Senado, 2002) mm


 

DEBATE
1o Encontro de Candidatos – Eleições 2002
– Senado Federal
NUMARK / ECO / UFRJ

3o Módulo:
Os Candidato tem 1 minuto para o seu encerramento.

Cid Pacheco:

Encerra-se assim o segundo módulo, e tem inicio o terceiro e ultimo módulo. Neste módulo, cada candidato terá 3 minutos para fazer um resumo, livremente, sobre o assunto que preferir abordar. Vale, inclusive, pedir votos! Em primeiro lugar, Artur da Távola. 3 minutos para a sua exposição.

Artur da Távola:

Em primeiro lugar, muito obrigado pela atenção. O prof. Cid Pacheco manifestou com muita clareza, a objetividade das perguntas , o nível de interesse, que aliás é algo que a gente percebe no olhar, no comportamento, a gente já tem alguma prática nisso.

O Brasil – pouca gente atenta para esse fato – cresceu 80 milhões de pessoas nos últimos 30 anos. O Brasil tinha uma taxa de expansão da população que era absurda: 3,1% ao ano. Raros paises do mundo, a não ser os países de macro-população, tiveram uma entrada tão vertiginosa de gente, de pessoas, na vida. Pessoas que precisam ser alimentadas, precisam ser colocadas em escola, precisam viver, precisam chegar ao mercado de trabalho. Isso criou também uma demanda crescente em relação ao mercado de trabalho, cerca de 1 milhão e meio a 1 milhao e 800 mil pessoas por ano, a cada ano, tem que haver abertura de mercado de trabalho para essas pessoas, senão ela fica no desemprego.

Qual foi o impacto da entrada dessa população – que é muito maior do que uma França, uma Espanha, 3 argentinas, e sei lá quantos uruguais – qual é o impacto da entrada de um grupo assim na sociedade? É um impacto em relação ao qual somente agora estamos pagando o devidos preços. Qual foi o Brasil que essas pessoas encontraram , a geração de vocês, particularmente, os que tem 10 anos a mais que vocês e os que tem 10 anos a menos que vocês? Encontrou primeiro um país que deixou de ser rural e passou a ser urbano. Hoje o país é 73% urbano, criando obstáculos terríveis e absurdos nas vidas das grandes cidades, mas o Brasil é hoje um país urbano. Criou uma massa de pessoas que não teve no processo educativo as condições suficientes para a manutenção da escola, para que a escola fosse o verdadeiro fomentador do equilíbrio social, através da igualdade de oportunidades.

As crianças de lares menos favorecidos economicamente já começaram a ser discriminadas na própria escola. A lei de diretrizes e bases, que votamos com Darci Ribeiro, foi um grande avanço nessa direção. Mas o impacto dessa geração que não se educou por inteiro, da geração que ficou fora da escola, é esse impacto que hoje determina crises gravíssimas, não apenas nas cidades, mas na vida brasileira. O esforço do país não tem sido um esforço desprezível: ele tem sido um esforço as vezes infrutífero, mas ele conseguiu de alguma maneira colocar pessoas dentro da possibilidade de um melhor desempenho na sua vida através da escola.

Mas nós ainda estamos muito longe, nós ainda temos o analfabetismo digital, após a era do computador. Nós, se lutamos por todas as crianças na escola, hoje precisamos lutar para que todos os jovens estejam na escola, o que não estão, apesar da matricula ter crescido 66%, ainda há um numero muito grande. Enfim, nós temos desafios formidáveis pela frente. Desafios na área social, na área orçamentária, na área do pagamento da divida, em suma, nesta compatibilidade que a nossa geração tem a oportunidade de ver. De lutar na direção da justiça social, mas com liberdade. A liberdade que nos custou cadeia, a muitos que estão aqui, nenhum de nós tem o monopólio disto, que nos custou companheiros mortos, que nos custou exílio, esta liberdade tem que ser mantida, e levar adiante a luta pela justiça social, é a luta que se impõe.

O meu compromisso, aos 66 anos de idade, é terminar a minha vida publica dando ainda o que eu tenha de saúde e de energia nessa luta que foi a luta da minha vida inteira. E se faço um parêntese para falar de mim, é porque vocês permitiram que nós o fizemos. Eu agradeço esta permissão, e concluo-lhes dizendo:

Nutro extremas esperanças em meu país. Tenho por ele uma admiração, não participo do pessimismo dos que só vêem os índices negativos, e acredito que o Brasil está a um passo de ser a nação com a qual todos sonhamos, e para as quais, a geração de vocês será tão fundamental, como a nossa no passado, na luta pela redemocratização.

Muito obrigado pela atenção, meu numero é 456.
Carlos Lupi:

Em primeiro lugar, meu muito obrigado. Eu gostaria de dizer que a geração dos sonhos da democracia, geração dos sonhos das diretas, a geração dos sonhos de um país mais igual, mais justo, mais fraterno, foi se deteriorando pela praticidade. Pela vida que virou um “Topa tudo por dinheiro”. Por uma humanidade globalizada, que vai pelo “ter”, e não pelo “ser”. No momento da disputa política eleitoral, onde todos vocês olham pra gente já com um carimbo dizendo “condenado”. Deve ser bandido, deve ser ladrão, deve ser safado para poder estar na política. Todos pensam assim. É muito difícil fazer política. É muito difícil acreditar em sonhos quando a gente quer dizer não, e a maioria quer vender. É muito difícil acreditar na luta mais difícil. Pra mim era muito mais fácil ser deputado estadual, deputado federal.

Quando eu aceitei a missão que o meu partido me deu, de ser senador, eu quero só um objetivo na minha vida. Eu não estou numa corrida de cavalos . Quem está numa corrida de cavalos quer ganhar, quer ganhar dinheiro. Eu estou numa disputa eleitoral para distribuir sonhos.

Por acreditar que uma pátria só se só se constrói de uma juventude que sonha em construí-la. Eu acho que vocês tem que ajudar a fazer parte. A parte não é só nossa não. A parte é de todos, vocês tem que dar contribuição, não deixando de sonhar. Não percam os seus sonhos. Eu, com 45 anos, me sinto mais jovem do que muitos, porque eu continuo sonhando com um país, uma pátria, para os brasileiros, mais justa, mais fraterna, mais digna.

Se vocês acharem que vale a pena acreditar no sonho, dêem-me o seu voto. Muito obrigado!

Jânio Carlos Carvalho

Agradeço a oportunidade dada para vir falar ao curso de comunicação. Talvez vocês estranhem não Ter propaganda de Jânio nas ruas. Minha propaganda se resume a alguns santinhos que eu mesmo preparo em casa. agora, tem candidatos aí que estão com sua campanha orçada em trinta milhões de reais.

Quero falar outras coisas. Em dois anos de mandato, o candidato recebe meio milhão de reais. Agora me explica: Como consegue gastar esses trinta milhões? Este candidato está livre para exercer seu mandato? Vocês devem começar por aí. Comece pensando neste ponto para escolher seu candidato. A própria lei deveria corrigir esta discrepância. Todos deveriam Ter o mesmo espaço de tempo para falar no rádio, na imprensa, na televisão. Tem candidato com quase trinta minutos. Eu tenho seis segundos. por isso que eu criei a “zebrinha”, para ser um diferencial. Quem não tem dinheiro conta história. reflitam nisso, pensem bem.

Sou advogado de defesa do consumidor, sobretudo no setor financeiro, tenho um programa na Rede Bandeirantes onde luto pelo povo. Se eu tivesse poder, seria mais fácil.

281, o candidato da “zebrinha”! Muito obrigado.

Edson Santos

Bom, eu gostaria de agradecer a todos que estão presentes. Eu sou candidato ao Senado para dar sustentação ao projeto de Lula, para garantir desenvolvimento sustentável da economia que distribua a renda e com isso melhore a qualidade de vida.

Mas eu candidato ao Senado também para defender o estado do Rio de Janeiro, que tem hoje a pio crise social de sua história, com um quadro de violência lastimável. Os jovens morrem na faixa de 15 a 24 anos, são os jovens que se envolvem com o narcotráfico. Eles são seduzidos porque há uma falta de esperança da juventude.

Quero dizer mais. Quero que a luta da paz no estado do Rio de Janeiro passe efetivamente pelo controle nas fronteiras, a luz pelo controle de vendas de armas. Um estudo realizado por Luiz Eduardo Soares, candidato a vice na chapa de Benedita pelo governo do estado, mostra que 80% das armas apreendidas no Rio de Janeiro são de propriedade nacional. Isso reflete a falta de controle que produz esse mecanismo de mortes.

Por isso sou candidato ao Senado. A gente vê nas ruas, nas comunidades… Aqui se morre tanto jovens quanto de morre na Palestina. Então isso precisa ser acabado. Não sou a favor apenas da presença da polícia, mas da presença da política pública que dê assistência, emprego aos pais desses meninos e para as famílias se estruturarem, e com isso a autoridade se estabeleça.

É nesse sentido que sou candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Espero contar com o apoio de vocês que entenderam a mensagem, para que o Rio retome seu lugar na economia de nível de Brasil. E a gente possa fazer essa caminhada para o futuro do povo, para que nossa juventude seja mais promissora do que o que a gente tem hoje.

Luis Gutman

Vou começar falando de uma mentira que a gente tem lido nos jornais. Existem doze milhões de desempregados no Brasil. É uma mentira. Ninguém fica em casa sem fazer nada. Estes doze milhões estão na rua, estão fazendo alguma coisa.

Qualquer política tem que Ter como prioridade: número 1, geração de emprego; número 2, geração de emprego; número 3, geração de emprego.

Nós estamos nos transformando num país chamado “Colombina”, mistura de Colômbia e Argentina. É o caos econômico da Argentina e o caos social da Colômbia. A política pública tem que ser medida pela quantidade de emprego gerado, pelo número de pessoas que não passam fome. E não pela velocidade que reembolsa os juros.

Só existem dois partidos: O partido de Tiradentes e o Partido de Joaquim Silvério dos Reis. Nós estamos sendo governados pelo partido de Joaquim Silvério dos Reis há muito tempo. Isso tem que mudar. Tem que ser Tiradentes.

Joaquim Silvério dos Reis significa Collor, significa FHC, significa FHSerra, significa FHCiro, significa qualquer um que não provoque a ruptura com o Fundo Monetário Internacional, que pague a dívida externa em detrimento da política pública social.

Viva o socialismo, viva Cuba, viva Antônio Conselheiro, viva Tiradentes. Viva Lula Presidente. Falta um comunista no Senado. Vote PCB, vote 123.

Florinda Lombardi

Ah, sim. Pessoal, como disse aqui, meu partido não acredita que as eleições, o parlamento, possam mudar a vida das pessoas. O que muda é a luta. Entretanto, acreditamos que essa estrutura de eleição garanta melhorias para a população. Como eu já falei para vocês, nós conseguimos com um mandato de um ano e quatro meses aqui no Rio de Janeiro uma grande movimentação no estado.

Eu queria dizer a vocês que na semana passada completei 53 anos, e não perdi algo que é característico da juventude: a rebeldia, sem a qual não chegamos a lugar nenhum.

E se vocês não são partidários da política fácil – e eu acredito que não, senão não estariam aqui até agora – nós estamos querendo chegar a algum lugar, reverter a situação que nos encontramos. O pano de fundo disso tudo é o capitalismo. Nós acreditamos que o socialismo seja possível. Não podemos desistir. O sonho não acabou.

Se aqui não há presentes aqueles estudantes, aquelas pessoas que caíram junto com o Muro de Berlim, com a derrocada da União Soviética, nós temos uma grande empreitada pela frente. Meu número é 161, sou do PSTU.

Destaco a importância da juventude. É fundamental vocês saírem daqui discutindo o papel dessas eleições. Se o Parlamento hoje não representa os interesses da população, o que é que vamos fazer? Cruzar os braços? Não.

É fundamental que a iniciativa e a riqueza desse debate se expressem em outras atividades. Uma delas é votar no plebiscito contra a Alca, que eu sei que tem uma urna ali fora. Votar contra a Alca, contra a entrega da Amazônia, das riquezas minerais, sociais e medicinais. E trazer esse país para nós. A verdade é que deixamos de ser colônia de Portugal para ser colônia dos Estados Unidos.

Quem acredita vem com a gente. Obrigada.

Fernando Gusmão:

Queria agradecer a todos. Me falaram no sorteio que quem ficasse para falar por último falaria para pouquíssimas pessoas. Pelo visto não foi assim. Ainda bem que se enganaram.

Foi de extrema importância este debate, onde todos participaram, contribuíram, exercendo a cidadania. Essas eleições vão Ter participação intensa. Não é a toa que a mídia tem feito cobertura completa diante dos acontecimentos. A gente percebe o quanto é grande o interesse do leitor nesse momento. Porque ninguém agüenta mais essa situação.

Eleição é chata. Mas eleição pode significar mudança ou não nos próximos oito anos. Porque com esse negócio de reeleição, pode-se eleger presidente agora para quatro anos e depois para mais quatro. Oito no total.

Vocês fazem parte de uma parcela privilegiada da população, vocês fazem parte de 1% da população que chegou à Universidade pública. Então o papel de vocês é ainda maior.

Me agrada ver todo mundo aqui participando. Porque 1/3 dos eleitores brasileiros ou são analfabetos ou são semi-analfabetos. São poucos os que têm condições de se informar e sair da bestialidade dos debates da televisão e vir para um debate como este. Está todo mundo de parabéns. É fundamental a gente perceber que as eleições do Senado vão ser eleições importantes, com temas relevantes para o futuro do país.

Sou candidato a Senador pelo PC do B. Sou candidato porque acho que o Senado precisa de senador que tenha presença, que tenha compromisso no estado, que participe do dia-a-dia do movimento social, do movimento sindical, que tenha projetos e iniciativas que sejam relevantes.

Atualmente vemos um quadro de dificuldade, de desespero, mas é importante a esperança na juventude que tem a perspectiva do futuro, que pode construir um futuro diferente do presente.

E o futuro diferente do presente é Luiz Inácio Lula da Silva. 656 é o meu número. Fernando Gusmão.  Lula Presidente.  Benedita Governadora.

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Professor Marcelo Serpa
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