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Como nascem as atitudes, os estereótipos e a opinião pública? (Marcelo Serpa, 2010)

(ARTIGO)

Diariamente cada indivíduo é ativamente impactado por fatores determinantes primários (os fatos e as informações – pessoais e midiáticas – que recebem) e influenciado, de forma latente ou não-manifesta, por uma série de fatores determinantes secundários que contribuem para, a partir de seus sentimentos e reflexões, determinar sua visão de mundo, consubstanciada em suas atitudes, sendo estes fatores determinantes hereditários (como os biológicos: temperamento, sexo e idade, os psicológicos: motivações e caráter, os sociológicos: escolaridade e extrato social) e ambientais (como os econômicos: ocupação e renda, os antropológicos: valores, crenças e costumes, os geográficos: clima, ecologia e base racial).
Assim, ao longo do tempo, as pessoas desenvolvem uma predisposição para reagir que é inerente a cada indivíduo (Allport in MURCHISON, 1935, p. ), relativamente duradoura, baseada em crenças sobre um objeto que as leva a responder de maneira preferencial (Rokeach, 1981, p. ), ou uma disposição mental para uma ação potencial (MANN, 1973, p. ), que chamamos de atitude.
A racionalização desta atitude (YOUNG, 1963, p. ) é expressa verbalmente na forma da opinião individual (THURSTONE, 1929, p. ).
No processo de compartilhamento social da opinião com o grupo, quando ela deixa de ser opinião individual para ser opinião pública, o indivíduo, em função de seu interesse ou desinteresse, num mecanismo de atenção seletiva, tria as informações que considera relevantes, classificando-as, simplificando-as e reduzindo-as de forma a facilitar sua assimilação num mecanismo de retenção seletiva.
É quando se lança mão dos estereótipos, crenças que se referem a grupos e categorias sociais humanas, usualmente expressas sob forma afirmativa, geralmente referentes ao presente, de grau de certeza e importância variável – a depender de quem crê e do conhecimento sobre tais grupos alvo, de baixo grau de consciência, organizadas sob a forma de sistemas e acompanhadas por ações consistentes com o que se acredita, e dependentes de um forte grau de compartilhamento social – senão estaríamos a falar de crenças idiossincráticas e não de crenças estereotípicas (KRÜGER, 1995).
Em outras palavras, estereótipos são idéias ou convicções classificatórias preconcebidas sobre algo ou alguém, resultantes de uma visão convencional, simplificada e formulista (Liv Sovik in Marcondes, 2009, p. ).
 
Referências bibliográficas
KRÜGER, Helmuth. Psicologia das Crenças: perspectivas teóricas. Tese de concurso para professor titular do Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1995.
MARCONDES FILHO, Ciro (org). Dicionário da comunicação. São Paulo: Paulus, 2009.
MURCHISON, C. (org). The handbook of social psychology. Worcester, MA: Clark University Press, 1935
ROKEACH, Milton. Crenças, atitudes e valores: uma teoria de organização e mudança. Rio de Janeiro: Interciência, 1981.
THURSTONE, Louis Leon. CHAVE, E. J. The measurement of attitude. Chicago: Press Chicago, 1929.

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Professor Marcelo Serpa
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